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História da Química

feito por:

Adriano Rocha


Cotemig-Barroca


As primeiras civilizações que fizeram história, já usavam a química mesmo sem saber. Os homens da pré-história, usavam os pigmentos naturais para tornar as suas cavernas. Nós temos em qualquer parede pintada, nos jeans, camisetas coloridas, nos refrigerantes, nos sucos, em alguns alimentos como a cenoura, beterraba, etc. Um homem que viveu a um milhão de anos atrás, conhecido como pithecanthropus, nesse período o homem não construía casas, não usava o fogo embora soubesse da sua existência. A principal aquisição cultural do homem neste período foi o desenvolvimento da linguagem. A Idade dos Metais abrange três períodos: o do Cobre, o do Bronze e o do Ferro. É na idade dos Metais que surgem as primeiras civilizações no Oriente. É nesse período que o homem tem contato com os metais. O homem aprende a trabalhar o Cobre e o Bronze. Também é nesta idade que o homem descobre a roda. No período do ferro, houve uma revolução cultural muito grande na humanidade. Quem tinha a tecnologia da forja deste metal para produzir armas, tinha a vitória assegurada. O homem já possuía a habilidade de produção de armas de guerra, punhais, espadas, serras, couraças, vasos, caldeiras, brincos, colares, anéis, cerâmicas, alfinetes, enxós, domesticação de animais, pecuária, e as idéias religiosas, crenças e superstições, desde do Neolítico. Os metais citados acima ainda hoje são muito usados. O cobre tem aplicações variadas, uma delas é a fabricação de condutores elétricos, placas de circuito impresso, ornamentos. O bronze é uma liga metálica monofásica de Cobre e Estanho. O ferro é o que tem muitas utilidades. Uma das principais é na fabricação do aço, usado em construção civil, placas, carcaças de automóveis, utensílios domésticos, aviação, etc. Você já deve ter ouvido falar nos Egípcios, Babilônicos, Assírios, Caldeus e Persas. Há ainda os Hebreus, hititas, egeus e sumerianos. Pois bem todos estes povos tem sua origem provável no Oriente Próximo. Este é o berço da civilização. O fim do neolítico se deu em muitas partes do mundo, convencionando-se dizer que foi por volta do ano 4.000a.C. A primeira grande civilização, impossível de esquecimento, é a Egípcia. Temo em descrevê-la, pois é tão grande a sua contribuição para o mundo ontem e hoje, que cairia em falácias, sendo da competência dos historiadores discorrer em detalhes. Mas no que tange a química foi de pouca valia, apenas que foram eles que designaram-lhe este nome. No campo da medicina tiveram grandes avanços: distinguiam as doenças do coração, infecções abdominais, perturbações menstruais, amigdalites, doenças dos olhos, entre outras. Sabe-se que usavam medicamentos muito avançados para a época com o objetivo de mumificar os seus líderes. Usavam substâncias betuminosas, mas a técnica de embalsamamento ainda hoje é obscura. Se havia um segredo, desapareceu com eles. Os homens que faziam esta prática eram venerados e tidos como especiais, consistindo na retirada do cérebro por meio de ganchos introduzidos através das fossas nasais e a cavidade craniana lavada com medicamentos. As vísceras eram jogadas no Nilo. Com uma técnica invejável enrolavam o corpo do morto em faixas de linho repletas de substâncias betuminosas, de modo a obter-se um excelente grau de conservação. Isto feito, o corpo era envolvido num sudário, colocado num cofre de madeira, pintado ricamente, e guardado para todo o sempre. O vidro, óxido de silício (SiO2), é muito usado ainda hoje nos frascos dos refrigerantes, remédios, vidraças, ornamentos mais luxuosos como os vitrais das igrejas. E quem já não tomou uma cervejinha bem gelada, num copo grande, na rua 24 horas? Um copo de vidro... Os povos da época escreviam suas vidas não no papel como o conhecemos hoje, mas no papiro! As ciências e as artes nesta época estão muito misturadas, perdurando isto até os tempos de Francis Bacon. O fato interessante deste período é dado pelo filósofo Demócrito (420a.C.) que propôs como formador de toda a matéria do universo uma partícula chamada de átomo. Essas idéias foram esquecidas, prevalecendo uma outra que dizia que o universo era formado por uma união dos elementos quente, frio, seco e úmido representados por fogo, água, ar e terra, chamados de os quatro elementos de Empédocles. Este pensamento persistiu por 1.800 anos graças ao prestígio de Aristóteles. Um dos filósofos que merecem citação é o pai da medicina Hipócrates, que nos deixou 87 escritos e retirou do misticismo a medicina e a dirigiu para o seu fim mais nobre que é a cura do paciente. Ainda hoje os formandos desta área juram pelos seus escritos. É da Grécia que nos foi dada a Universidade de Alexandria (320a.C.), cuja importância é indescritível. Dizem alguns historiadores que se não fosse destruída e muito do seu acervo perdido, a humanidade hoje estaria povoando outros planetas. (????) Depois dos Gregos o povo que assumiu o "comando" do mundo conhecido foi o Romano. Um povo bélico, audacioso, que, segundo a lenda, nasceu de Rômulo e Remo. Rômulo mais tarde mata Rêmo, assumindo o poder total, período no qual, após jogos públicos, os romanos raptam as mulheres dos asabinos, desencadeando uma guerra. Após muito trabalho, faz-se a paz e o povo de Rômulo e os Sabinos se unem para fazer um só povo - o povo romano, fato acontecido no século Ia.C. em 21 de abril de 753a.C., segundo Varrão. E a partir de então este povo tratou de alargar as suas fronteiras e só findou no ano de 1453 d.C. após a cisão feita por Teodósio. Fatos importantes aconteceram neste período: foi na época do Imperador Augusto que Jesus Cristo nasceu, seus legados maiores estão no direito romano e na língua (latin) que foi matriz da língua européia. No campo da química e física nada fizeram de importante, sendo mais cuidadosos nos campos da medicina, geografia, botânica, filosofia e literatura, absorvendo muito do mundo helênico, segundo o que se nota. No campo da química é impossível de não comentar a figura dos magos, dos feiticeiros, dos senhores das coisas ocultas. Estamos falando sobre os ALQUIMISTAS. Esta "arte divina" floresceu em Alexandria por espaço de três séculos. Ela cessou por ordem de um imperador chamado Dioclesiano no ano de 292 d.C., que mandou queimar todos os escritos sobre este tema. Ressurgiu no Oriente e quando veio à Europa, muito havia se perdido. Os árabes proporcionaram avançados estudos práticos neste tema. Talvez o maior dos alquimistas árabes tenha sido Geber (VIIId.C.). É do Oriente que veio um livro tomado por base pelos ocidentais, escrito por Rhazes chamado de "O Livro dos Segredos". Não se esqueça da dominação oriental na península Ibérica, por 5 séculos aproximadamente, que contribuiu para que a alquimia se transforma-se em ciência e fosse chamada de química. Na Idade Média, os alquimistas procuravam resolver o velho sonho de encontrar a pedra filosofal, substância que se supunha ter o poder transformar qualquer metal em ouro puro. Procurava-se também um elixir capaz de curar todas as doenças. Foi nesta procura que estes artistas descobriram muitos medicamentos, propriedades de muitos metais, ácidos, bases sais e óxidos. Conheciam o alumínio (Geber, Paracelso); Antimônio (Plínio, Geber, Basil Valentine); Arsênio (Alberto Magno); Bismuto (Basil Valentine); Boro (Latinos e Árabes); Cádmio (Plínio); Cálcio (desde antes dos Gregos); Carbono (desde antes dos Gregos); Chumbo, Cobalto, Cobre, Enxofre, Estanho, Ferro, Hidrogênio, Manganês entre outros. Tinham emprego prático o sal comum (NaCl), o Zinco junto com cobre para confecção de uma liga metálica chamada latão. Especial fascinação os alquimistas tinham pelo mercúrio, que acreditavam ser através deste metal líquido, um meio à pedra filosofal, e o ouro, a obsessão principal. Neste período é que se inventaram os frascos, os utensílios usados nos laboratórios de química até hoje. Pense um pouco agora. Você acha que um sistema destes, em que o povo era notoriamente ignorado em suas necessidades básicas, como saúde, bem estar, educação. Os vassalos plantavam e praticamente davam tudo aos nobres e ao clero. Havia também a Santa Inquisição, que controlava o pensamento e atos de todos. Cientistas que descobriram coisas que confrontavam com a Santa Igreja, eram queimados ou se calavam. Você acha que um sistema destes persistiu por muito tempo? Bem, faça os cálculos: de 476 até 1453, são 977 anos. Mais de nove séculos com uma sociedade vivendo desta maneira! Nove séculos de uma economia parada, nove séculos de mortes e crueldades. Nove séculos em que a ciência praticamente parou, retrocedendo talvez alguns séculos atrás. De uma filosofia e ciências em progresso, a humanidade mergulhou no marasmo e no misticismo novamente. Mas acabou quando Maomé II (1430-1481) cercou Constantinopla. Este é o marco histórico que fincou estaca na Idade Média. É óbvio que não foi de uma hora para outra que isto aconteceu, e sim, um processo lento, cujo fato importante é a fuga dos sábios e artistas gregos para a Itália, onde então se desenvolveu o gosto pelas artes e ciências. Está percebendo para onde vamos na história agora? Será que é preciso dizer mais? Bem... lá pelos idos do século XII em diante, a situação dos camponeses começou a melhorar com as Fraternidades. Os camponeses fugindo da opressão, fundavam os burgos, que eram cidades livres, onde o comércio pululava e novas perspectivas se faziam abundantes. As concessões e franquias abertas pelos nobres, começavam a tornar-se freqüentes, enfraquecendo esta casta e tornando mais fortes os burgueses, preparando o caminho para a Idade Moderna. Estamos no início da Renascença. Ah! Idade Moderna. É nesta época que o homem realmente fez avanços fantásticos em todas as áreas. É deste período que vieram do oriente muitas idéias que fizeram a Europa precipitar em cultura. É claro que a humanidade chegou onde chegou pelas participações dos seus antepassados, mas a Idade Moderna foi "da hora"! Foram várias as mudanças político-sociais que fizeram a transição, tais como a dinâmica da economia, o teocentrismo dando lugar ao antropocentrismo, acentuado poder real, e várias também as invenções: pólvora, papel, imprensa, bússola, caravela. É deste período que temos nomes célebres como: Fernão de Magalhães, Colombo, Vasco da Gama, Johann Gensfleich Gutenberg, Américo Vespúcio, Botticelli, Leonardo da Vinci, Rafael Sanzio, Mighelangelo Buonarrotti, são marcantes. Quanto a química, podemos considerar Robert Boyle o fundador da ciência química estudando-a como única finalidade e não para transformar metais ordinários em ouro ou para encontrar o elixir da vida eterna. Introduziu o método experimental em bases rigorosas para comprovação exata das teorias e fatos. Foi ele quem deu derrocada às doutrinas gregas dos quatro elementos e dos alquimistas da idade anterior. No fim do século XVIII foram descobertas novas substâncias, principalmente por Karl Wilhelm Scheele (Suécia). São atribuídos a ele a descoberta: do cloro, ácido clorídrico, ácido arsênico, ácido láctico, ácido oxálico, ácido cítrico, ácido tartárico, ácido tungstico. Outro químico importante é Joseph Priestley ele preparou em estado puro, com instrumentos que inventou e aperfeiçoou, o oxigênio, óxido nítrico, gás clorídrico, dióxido de enxofre, tetrafluoreto de silício, amônia e óxido nitroso. Seu maior papel foi na descoberta do oxigênio que derrubou a teoria do flogístico. Outro de importância enorme chamava-se Antoine-Laurent Lavoisier. Este homem acabou com Stahl e o seu flogístico, em 1789 no seu Tratado Elementar de Química, em que fala das suas experiências com calcinação de metais e outros elementos. Ele observou que o aumento da massa não é por perda do princípio inflamável, mas sim pela absorção de uma certa quantidade de ar (mais precisamente de oxigênio). Sempre havia uma redução do volume gasoso, que ele sabiamente soube perceber através dos métodos rígidos de medição da massa. Foi ele quem nos forneceu a noção precisa de elemento e substância pura, a lei da conservação da matéria (Na natureza nada se perde, nada se cria. Tudo se transforma.), a generalização da idéia de ácido, óxido e sal e a nomenclatura química juntamente com Guyston, Morveaus, Fourcroy e Berthollet. Os trabalhos de análise quantitativa, ajudaram Proust a estabelecer a lei das proporções fixas, e foi através destas leis e observações que Dalton estabelece a sua teoria atômica em 1808. Os pesos atômicos de quase todos os elementos foram calculados por Berzelius. Avogadro (lembre de 6,02 x 1023) diz que todos os gases têm um número igual de moléculas se observado um mesmo volume. Ele também estabeleceu a diferença entre molécula e átomo. Como se vê a Idade Moderna, a Renascença, trouxe-nos uma noção mais ampla do mundo e fez o homem avançar intelectualmente. E hoje em dia? A química esta presente em tudo o que fazemos. Os avanços proporcionados à humanidade por este segmento do conhecimento humano são fantásticos. Os supercondutores, os polímeros, combustíveis, pigmentos, tecidos sintéticos, peles sintéticas, pastas de dentes, shampoos, detergentes, cosméticos, etc. É óbvio que nem tudo é lindo e maravilhoso. O uso dos conhecimentos em química já trouxe ao homem problemas sérios. O mal uso da química por homens sem escrúpulos causa danos à natureza, ao próprio homem, ao planeta como um todo. O lixo químico é um problema que tem proporções alarmantes. A poluição causada pelas indústrias assusta qualquer pessoa, mesmo que não seja um cientista.Cabe a nós, cidadãos comuns não deixarmos que tais coisas fujam do controle e nos ameace. O bom uso da química é possível e hoje é uma realidade cada vez maior, começando por nós mesmos. Exigir dos pecuaristas carnes sem hormônios, "sprays" sem CFC (Cloro, flúor carbonos que atacam o ozônio), mais segurança onde se usa dispositivos radioativos, exigir das indústrias apenas produtos biodegradáveis, computadores com tecnologia "green", meios de transporte mais limpos, exigir dos agricultores que combatam às pragas sem usar agrotóxicos, etc.